Glossário de Termos Musicais

Agógica

É o conjunto das alterações de andamento, tanto grandes quanto pequenas que são usadas na interpretação de uma obra musical. Apesar da ênfase em recursos de agógica ser uma característica musical mais usada na interpretação do repertório Romântico, alterações na regularidade do pulso tem sido usadas nas realizações da música de todos os períodos.

Arranjo, Transcrição, Edição e Adaptação

“Um arranjo é propriamente uma alteração deliberada da intenção original do compositor e é identificada como tal. Na música coral isto ocorre comumente ao se reescrever para coro uma canção solo ou uma peça instrumental, ou de um coro misto para outro agrupamento coral, a adaptação de um texto inteiramente novo à música, ou a harmonização para coro de uma melodia preexistente tal como uma canção popular ou folclórica”. COLLINS, 1988, p. 123.

“Uma transcrição é propriamente a reprodução literal de uma fonte original em uma nova notação. Isto é normalmente aplicado à música pré-Barroca e é útil apenas ao especialista […] A prática de chamar de ‘transcrição’ uma peça para piano reescrita para orquestra, será difícil de mudar, embora tais adaptações sejam mais propriamente chamadas de ‘arranjos’”. COLLINS, 1988, p. 123.

“A edição ideal de uma peça de música é a que mais acuradamente revela as expectativas do compositor para sua performance.” […] 1. O editor deve incluir tudo o que sobrevive diretamente do compositor ou do mais próximo dele possível. […] 2. O editor deve distinguir com absoluta clareza o que sobrevive do compositor do que ele próprio supriu.” […] “A performance ideal de uma peça musical é a que mais se aproxima das expectativas do compositor para a performance”. COLLINS, 1988, p. 123.

“Há, na verdade, apenas dois requisitos fundamentais para uma edição musical: clareza e consistência”. CALDWELL (1996, pag. 1)

 

COLLINS, Walter S. “The Choral Conductor and the Musicologist” in: DECKER, Harold A.; HERFORD, Julius et al. Choral Conducting Symposium. 2 ed; New Jersey: Prentice-Hall, 1988.

CALDWELL, John. Editing early music. 2nd. ed. Bristol, U. K.: J. W. Arrowsmith, 1996.

 

Quando um(a) regente modifica algum elemento musical de um arranjo ou uma peça vocal original para que seu grupo realize de acordo com seu nível, não podemos chamar de arranjo porque seria se apropriar indevidamente do trabalho de outra pessoa. É prática chamar isso de adaptação (adaptado por …), dando o crédito do arranjo ou obra para quem o fez. Essa prática é discutível na comunidade musical.

Baixo

É um termo polissêmico (que possui diferentes significados). Na classificação vocal, é a voz que num coral possui a extensão aproximada de fá1 a fá3. Num acorde é a nota mais grave, independente da extensão ou classificação vocal. Num trecho de obra musical, é a linha melódica mais grave.

Baixo Cifrado

Elemento característico de escrita da música Barroca que consiste em uma linha melódica grave que possui em algumas notas números acima ou abaixo da pauta indicando intervalos a serem tocados a acima destas notas.
Além dos intervalos a serem realizados acima das notas, os números também indicam qual é a função da nota a ser tocada dentro da tríade ou tétrade. Numa tríade, a cifra 6 indica a fundamental; na cifra 64 o 6 indica a terça e o 4 a fundamental. Numa tétrade, na cifra 65 o 6 indica a fundamental e o 5 a sétima; na cifra 43 o 4 indica a fundamental e o 3 a sétima. Na cifra 42 o 4 indica a terça e o 2 a fundamental.
O Baixo Cifrado é um elemento de escrita, portanto teórico, sua realização prática se dá pelo grupo de instrumentos escolhidos chamado Baixo Contínuo.

Baixo Contínuo

Pequeno grupo de instrumentos característico da realização da música Barroca que consiste em, no mínimo, dois: um instrumento melódico grave e outro harmônico. Esses instrumentos realizam o Baixo Cifrado. Na prática barroca, quando há a presença de violinos e violas, o quinteto de cordas estará completo sempre que possível, então com o violoncelo e o contrabaixo podemos ter 3 instrumentos no grupo. Os instrumentos melódicos graves mais comuns são a viola da gamba, o violoncelo, o contrabaixo e o fagote. Os instrumentos harmônicos mais comuns são o cravo, usado preferencialmente em música secular e o órgão, usado preferencialmente em música sacra. Há evidências que J. S. Bach utilizou-se também de um cravo do qual regia suas obras, mas junto com o órgão e não o substituindo. A escolha dos instrumentos deve ser feita com base nas características musicais da obra, proposta de execução e gosto musical. Um dos erros mais comuns ao considerar as Forças Musicais de uma obra Barroca é listar Contínuo como um instrumento ou família de instrumentos.

Bifonia Fundamental

Elemento característico do período Barroco que enfatiza a importância da Melodia mais aguda e do Baixo no discurso musical em relação ao papel secundário de suporte harmônico das vozes intermediárias.

Cantochão

Termo genérico que engloba toda melodia com característica de canto monofônico, prosódico e em latim da liturgia cristã. A maior coleção destas melodias são os Cantos Gregorianos.

Cesura

Pequena interrupção em sonoridade ou fluxo musical caracterizado na partitura por um sinal como vírgula (‘), dois traços diagonais (//) ou um sinal de cunha (∨) acima da pauta. Pode significar ou não uma respiração em música vocal, dependendo da escolha musical, mas tem que haver a interrupção sonora.

Claves de Tenor

A voz do Tenor tem sido escrita em diferentes claves na literatura musical de diversos períodos. As mais comuns estão abaixo representadas com a nota dó3: a) clave de dó na quarta linha, o que significa as notas são escritas na altura real; b) clave de sol oitavada, com as notas escritas uma oitava acima da altura real; c) dupla clave de sol, também com a escrita uma oitava acima; d) clave de sol com indicação da quarta linha, como uma lembrança da clave de dó para tenor, mas com a escrita uma oitava acima; e) clave de sol sem indicação de oitava, mas com texto acima e escrita também uma oitava acima da altura real e f) clave de fá na altura real; apesar desta clave ser mais usada para Baixos, em duas pautas a linha do tenor ocupa a parte superior, em geral com linhas suplementares quando na tessitura aguda.

                a)                       b)                             c)                           d)                     e)                       f)

Coda, Codetta

Coda é a última parte estrutural de uma peça musical. Ela pode se constituir de uma ou mais codettas.

Col S, Coll’A, Col T e Col B

Indicação que o compositor coloca em alguns instrumentos informando que este dobra a voz indicada. Col significa “com o” em italiano. Quando dobra a contralto usa-se coll’A porque Alto em italiano precisa do artigo “a”, então ao invés de escrever col la Alto, é costume escrever de modo condensado: coll’A ou coll’Alto.

O ato de compor e escrever música demanda tempo e compositores tem usado diversos artifícios para conseguir diminuí-lo, como o uso de sinais de repetição. A indicação de dobramento de uma voz por um instrumento vem neste sentido e poupa o compositor da escrita de toda pauta novamente.

No exemplo acima, o naipe de violino I e os oboés I e II dobram os sopranos; o naipe de violino II e o oboé da caccia dobram as contraltos; e o naipe de viola dobra os tenores, todos ao uníssono.

Dissonâncias

No Período de Prática Comum consideram-se dissonâncias todas as notas que não fazem parte da tríade básica. Nesse período toda dissonância tem duas características: 1) preparação e 2) resolução. A nota é preparada quando faz parte de um acorde anterior, se estabelece como dissonância no acorde seguinte e vai para o acorde posterior, resolvendo em nota desse acorde. Durante o Período de Prática Comum, essas notas dissonantes que seguem regras de preparação e resolução são chamadas de NCTs (Non Chord Tones). Intervalos de 2ª, 4ª, 6ª, 7ª, 9ª e 11ª no Período de Prática Comum são NCTs.

Em Bossa Nova e Jazz, intervalos de 7ª, 9ª e outros fora da tríade não são dissonâncias. Não há NCTs, porque as notas que fazem esses intervalos não seguem regras de preparação e resolução. Fora do Período de Prática Comum essas notas são parte integrante dos acordes básicos, portanto não são dissonâncias.

Economia Gestual

De acordo com as ideias musicais de interpretação, os gestos em regência precisam suficientes e sem movimentos supérfluos para uma melhor comunicação.

Edição

Ato de escrever uma partitura para difundir o acesso a uma obra partir de manuscritos. Possui diversos tipos dependendo da necessidade ou intenção musical. Ver Arranjo, transcrição, edição e adaptação.

Escrita Idiomática

Quando se compõe música para um instrumento específico, ressaltando e explorando os recursos próprios e únicos deste instrumento. A mesma música tocada por outro instrumento teria perdas em sonoridade e adaptações quando realizada. Na Renascença era comum melodias serem tocadas por quaisquer instrumentos disponíveis. No período Barroco, a padronização da construção dos instrumentos e um olhar criativo nas características próprias de cada um, levou os compositores a expandirem a expressão da sonoridade trazendo características emocionais mais ricas para sua música.

Extensão e Tessitura

Dois dos conceitos mais básicos de análise melódica. A extensão é representada por um intervalo musical definido por duas notas: a mais grave e a mais aguda de uma melodia. Exemplo: Parabéns a Você cantado confortavelmente por uma Soprano em Sol Maior tem a extensão de uma oitava justa de ré3 a ré4. Usamos também o conceito de Extensão para falarmos de todas as possibilidades de alturas de um instrumento musical. Livros de Orquestração possuem tabelas específicas de cada instrumento. A tessitura é a região mais usada dentro da extensão melódica e pode-se classificá-la com cinco nomes básicos: 1) grave; 2) média grave; 3) média, 4) média aguda; e 5) aguda. A tessitura depende de qual instrumento (incluindo vozes) está realizando uma melodia. Por exemplo: uma melodia na região média-aguda para um Tenor está numa região aguda para um Baixo.

Forças Musicais

É o conjunto de todos os instrumentos (incluindo vozes) necessários para a realização de uma obra musical. Alguns autores chamam de Forças Orquestrais, que não é um termo adequado por não incluir alguns períodos estilísticos da História da Música, não deixar claro se inclui vozes e não ser inclusivo quanto a outras expressões musicais (música folclórica, música comercial, entre outras). Outros usam Forças Performáticas. Os instrumentos precisam ser considerados de acordo com suas especificidades, separando necessidades de instrumentos em naipes e necessidades de instrumentos solistas. É uma ferramenta importante para o preparo e realização de uma obra complexa de grande porte, aplicável a todos tipos de expressão musical. Num concerto para violoncelo, por exemplo, faz parte das Forças Musicais um violoncelo solista e um naipe de violoncelos, como duas forças musicais diferentes. Para uma obra vocal, uma contralto solista e um naipe de contraltos precisam ser consideradas em separado. A escrita do compositor faz diferença de níveis de dificuldade e exigência para cada instrumento constante nesse conjunto, por isso a consideração em separado de cada caso. Há sistemas de notação para listagem das Forças Musicais (ver Shorthand for orchestra instrumentation). Sobre Forças Musicais leia o arquivo Texto sobre Orquestração e Forças Musicais. Como elaborar uma tabela de estudo ver Quadro de Estudo com Forças Musicais.

Forças Vocais

É o conjunto das vozes necessárias para a realização de uma obra vocal. Considera-se por especificidade as vozes de acordo com a necessidade da composição. Vozes solistas e vozes corais possuem diferenças quanto às escolhas de quem compõe. Para sua descrição, usa-se uma notação específica, separando a inicial do tipo de voz solista entre pontos e colocando naipes depois do último ponto. As vozes vão em ordem decrescente do agudo para o grave: colocamos os solistas do Soprano para o Baixo e os naipes do Coral também do Soprano para o Baixo. Exemplos: uma obra para duas sopranos solistas e um coro de soprano, tenor e baixo pode ser notada como S.S.STB; uma obra para soprano e contralto solistas e um coro masculino de dois naipes de tenor, um de barítono e um de baixo pode ser notada como S.C.TTBrB

Funcionalidade

Diz-se que uma obra religiosa musical é funcional quando é parte importante da celebração, expressando a liturgia. O conceito não é aplicado em música secular, mas pode-se, por associação, pensar que algumas destas obras são necessárias em eventos seculares. Temos o Hino Nacional, por exemplo, que é parte de eventos cívicos.

Hemíola

Procedimento composicional cuja percepção é de mudança de fórmula de compasso em trechos musicais. Através do agrupamento de unidades regulares de tempo (pulso) muda-se a percepção dos compassos. Por exemplo, ao se agruparem colcheias de três em três, um compasso 34 é percebido como 68; ao se agruparem semínimas de duas a duas, dois compassos 34 são percebidos como um compasso 32. O contraste com trechos anteriores e posteriores ou mesmo com outra voz sincrônica é o que causa a percepção. Este procedimento é usado por muitos compositores, principalmente em pontos cadenciais, nos quais ele funciona como um rallentando escrito.

Homorritimia

É a qualidade das vozes, numa textura polifônica homofônica, de possuírem os mesmos valores rítmicos em suas melodias. Quando temos imitação, então numa textura polifônico contrapontística, mesmo que as vozes façam a mesma melodia, não há homorritimia, pois o conceito subentende sincronicidade, sendo obviamente só aplicável a texturas polifônico homofônicas.

As duas vozes acima são homorrítimicas

As duas vozes acima possuem o mesmo ritmo, mas não são homorrítimicas, pois estão em imitação

Imitação

Quando um material melódico é apresentado em uma voz e aparece em seguida (com os mesmos intervalos internos ou variados) em outra voz. Imitações acontecem entre vozes diferentes.

Imitação Real

Quando o material melódico que aparece em seguida tem os mesmos intervalos internos que o material apresentado antes em outra voz.

Imitação Tonal

Quando o material melódico que aparece em seguida não mantém os mesmos intervalos internos que o material apresentado antes em outra voz por questões harmônicas.

Improviso

Oportunidade para um executante mostrar suas habilidades nas ideias musicais e destreza ao instrumento. É preparado através do estudo e domínio dos diversos elementos musicais que distinguem um músico profissional de profissionais em preparação ou amadores.

Interlúdio

Trecho musical que conecta duas partes de uma peça musical com apresentação de material melódico significativo em contraste com as outras partes. Em geral os interlúdios podem ter: 1) material melódico significativo apresentado; 2) diminuição de densidade sonora (redução do número de instrumentos ou redução das forças musicais); 3) modificação da textura; 4) mudança de dinâmica e 5) quantidade de compassos variável.

Intermezzo

Peça musical independente que fica entre duas outras peças de uma obra maior, como uma obra dramática.

Isoritmia

Procedimento composicional típico da Idade Média. Ver Color e Talea. Não é um tipo de textura, mas um conjunto de procedimentos composicionais.

Melisma

Uma das quatro relações texto-música que se caracteriza por diversas notas para uma sílaba. Melismas são característicos em melodias Gregorianas e colocados nas palavras mais importantes do texto sacro, como em Alelluia ou Amen. É um dos elementos de expressão emocional presente nos diversos tipos de cantochão.

Melodia

Uma sucessão de alturas que se estabelece como uma unidade de acordo com convenções culturais e estéticas. Em geral possui extensão, tessitura, ritmo simples ou complexo, conteúdo intervalar, conteúdo de notas, elaboração diatônica, conteúdo cromático, estrutura (motivo, frase, período, etc.), contorno melódico, arco respiratório, relação texto-música, cadência melódica, posição métrica (tética, acéfala ou anacrúsica), ornamentação, entre outras características.

Sobre estrutura da melodia veja: PISTON, Walter e DeVOTO, Mark. Harmony (Fifth Edition). New York, W.W Norton & Company, 1987.

Melodia Coral

Nome que se dá à melodia original que é harmonizada em um coral, em especial nos corais do período Barroco. Em corais de J. S. Bach a Melodia Coral está em geral no Soprano. Essa melodia possui características marcantes e genéricas: extensão de aproximadamente uma oitava justa, tessitura média e confortável; ritmo simples; conteúdo intervalar por graus conjuntos e poucos saltos; notas apenas da escala como conteúdo de notas; diatônica;  estruturada por períodos ou grupo de frases, contorno melódico simples, arco respiratório curto que é definido pela pontuação textual e cadências harmônicas, cadências melódicas por graus conjuntos ascendentes ou descendentes, pode ser tética, acéfala ou anacrúsica como posição métrica e sem ornamentação.

Modos de Realização do Cantochão

1) canto direto: quando uma pessoa ou um grupo de pessoas canta toda a melodia; 2) canto responsorial: quando alguém entoa o início da melodia (palavras iniciais da primeira sentença ou primeira sentença completa) e um grupo de pessoas entra em seguida; 3) canto antifonal: quando duas pessoas ou dois grupos se alternam, cada qual cantando um verso.

Monofonia

É uma única melodia realizada em uníssono ou oitava justa. Ver textura.

Monodia

Melodia com acompanhamento livremente elaborado e com escrita idiomática. Ver textura.

Música Historicamente Informada

É toda realização musical com base em pesquisa documental da época da obra musical para a escolha dos elementos musicais, instrumentos e quaisquer outros detalhes que façam diferença na Prática de Execução (Performing Practice).

“Musiquês”

Todos músicos profissionais devem dominar termos, conceitos e significados dos vocabulários específicos da área. Enquanto seja compreensível que leigos usem palavras informais e analogias para falar de música, um profissional deve ser articulado de modo a adaptar seu discurso de acordo com seu público, desde pessoas em formação como crianças e adultos de outros segmentos da sociedade até pesquisadores e teóricos musicais. Os termos, conceitos e vocabulários na área de música são, por vezes, complexos, com muitos detalhes, e também diversos quanto mais específica for a área musical. Por exemplo, o vocabulário de música aplicada à infância sobre a questão vocal é muito mais profundo e específico que o vocabulário de música aplicada à infância apenas. Se somos da área, há que se aprender, se familiarizar e falar de música usando termos musicais.

NCTs

Sigla em inglês que significa Non Chord Tones, Notas Fora do Acorde em português, sendo que o acorde básico no Período de Prática Comum é considerado como a tríade: fundamental, terça e quinta. Nesse período, todas as notas que não fazem parte da tríade básica são chamadas de NCTs porque seguem regras específicas (veja o verbete Dissonâncias). Em português costuma-se chamar NCTs inadequadamente por Notas Não Harmônicas. Todas as notas de uma música do Período de Prática Comum fazem parte da harmonia seguindo cada uma suas regras específicas.

Período de Prática Comum

Cronologicamente esse período vai, aproximadamente de 1600 a 1900, portanto dos séculos XVII a XIX. Em geral, toda música escrita neste período segue regras teóricas fundamentais em harmonia e estrutura. É necessário ver o contexto de cada obra porque sua data de composição não deve ser o único critério para se considerá-la pertencente a um determinado período. Por exemplo, algumas obras do início do século XVII ainda podem estar mais ligadas a questões teóricas da Renascença. Outras obras de meados do século XIX, quando temos uma expressão musical do final do período Romântico chamado de Romantismo Expandido ou Tardio, podem não estar em conformidade com as regras gerais desse período.

Polifonia Contrapontística Imitativa

Um trecho Polifônico Contrapontístico é chamado de imitativo quando os materiais melódicos entre duas vozes que são apresentadas em tempos diferentes possuem uma relação de similaridade. Essa relação pode ser de diversos tipos e estabelece que o material melódico apresentado pela primeira vez foi utilizado como base para o material melódico que aparece em seguida. Ver textura.

Polifonia Contrapontística Não Imitativa

Um trecho Polifônico Contrapontístico é chamado de não imitativo quando os materiais melódicos entre duas vozes que são apresentadas em tempos diferentes não possuem qualquer relação. O material melódico que aparece em seguida não foi criado a partir do material melódico proposto. Ver textura.

Polifonia Homofônica Elaborada

Numa Polifonia Homofônica, as vozes tem valores rítmicos diferentes entre si. Ver textura.

Polifonia Homofônica Homorrítimica

Numa Polifonia Homofônica, todas as vozes tem valores rítmicos iguais. Ver textura.

Ponte

Em música popular, um trecho musical que sinaliza a mudança na forma, no caso um último trecho contrastante antes do retorno final do material ou seção inicial.

Prática de Execução (Performing Practice)

Todos os elementos musicais cuja escolha na realização de uma peça a faça soar mais similar ao que o compositor idealizou e percebeu em sua época.

Profana

Termo inadequado para se referir a toda música que não é religiosa. O verbo profanar tem o sentido de desrespeitar a sacralidade, que não deveria ser aplicado a toda música que não tem cunho religoso.

Quadro de Estudo com Forças Musicais

Ferramenta visual que possui todo o efetivo e algumas características musicais de um evento musical de maneira otimizada. Esse evento pode ser de qualquer tipo de expressão musical. Separa-se as partes do evento em linhas e nas colunas o efetivo instrumental (considerar vozes também) de cada. Assim como na consideração das Forças Musicais, leva-se em conta a especificidade de instrumento ou escrita de cada instrumento. Ao final obtém-se um panorama da obra musical que pode ser usado para conhecer a estrutura, a articulação entre as partes e mesmo ajudar a otimizar um ensaio. Como fazer em relação às Cantatas em estudo:

a) considere cada instrumento de sopro como 1 por parte, colocando os mesmos instrumentos numa coluna apenas (Oboé I e II, na mesma coluna, por exemplo);

b) considere o quinteto de cordas como naipes e cada um em uma coluna: Violinos I e II, Violas, violoncelos e contrabaixo;

c) se houver outros instrumentos solistas (traverso, oboé da caccia, violoncelo piccolo, entre outros), considere em coluna separada. Quando há solos de instrumentos que possuem naipe, o spalla do naipe faz o solo;

d) se for uma obra Barroca, escolha quais instrumentos farão o contínuo;

e) considere as vozes corais juntas usando a sigla (SATB, por exemplo) numa coluna Coral;

f) considere vozes solistas numa coluna só usando as siglas (S, A, T, B) numa coluna solistas vocais. Não misture solistas vocais com solistas instrumentais;

g) numere um movimento por linha colocando seu nome exatamente como está na partitura (se houver);

h) indique presença de cada instrumento nas respectivas colunas anotando com um X quando presentes, se houver dobramento com as indicações usuais (col S, coll’A, col T, col B, col Vl I, col Vl II, col Vla, entre outros) e indicando com I ou II a presença dos instrumentos citados na letra a;

i) deixe células em branco se não houver instrumento presente para melhor visualização;

j) numa obra Barroca, estando o contínuo presente em todos movimentos (considerar também o violoncelo e contrabaixo, além dos outros instrumentos escolhidos), retire essas colunas e coloque abaixo da tabela a sua escolha dos instrumentos do Contínuo para a obra toda.

Rallentando Escrito

Procedimento composicional no qual um aumento dos valores rítmicos das notas em um ponto cadencial causa a impressão de um rallentando comum.

Últimos compassos do Pomposo, final da primeira parte do primeiro movimento da Sinfonia n. 8 de William Boyce.

Rapsódia

É uma música que possui uma sequência de elementos melódicos significativos que podem não ser desenvolvidos ao longo da obra.

Relação Texto-Música

Em uma peça vocal, a disposição das sílabas do texto em relação às notas da melodia possui quatro possibilidades. 1) silábica: uma sílaba (ou agrupamento de sílabas como numa elisão) está colocada em uma nota; 2) neumática: uma sílaba (ou agrupamento de sílabas como numa elisão) possui algumas notas; 3) melismática: uma sílaba para muitas notas (ver Melisma); 4) salmódica: diversas sílabas para uma nota (podendo ser prosódico quando indicado apenas com uma nota de grande valor rítmico, como uma breve, sobre um texto de um comprimento considerável ou métrico quando se escreve ritmicamente cada nota de altura repetida em valores rítmicos).

A relação silábica acontece nas notas em vermelho. Todas outras sílabas possuem duas, três ou quatro notas, numa relação neumática. J. S. Bach, BWV 313.

O texto Miserere Mei está disposto numa relação silábica. A primeira sílaba da palavra Deus está numa relação melismática. Miserere de Gregorio Allegri.

Melismas no Alleluia (Assunção, 15 de agosto) página 1603 do Liber Usualis

O texto colocado sob a nota longa deve ser realizado de maneira prosódica. Miserere de Gregorio Allegri.

Apesar de ter sido escrito silabicamente com semínimas, a prática é realizar o texto de modo prosódico. Repare que não há fórmula de compasso, portanto as semínimas repetidas na mesma altura só indicam as sílabas diferentes numa relação salmódica. Miserere de Gregorio Allegri.

Repetição

Quando um elemento melódico ou seu contorno aparece novamente da mesma voz. Repetições acontecem numa mesma voz e não entre vozes diferentes. Um tipo especial de repetição, característico das obras Barrocas é a sequência, na qual o contorno melódico é repetido sendo usada também em progressões harmônicas de transição entre áreas tonais diferentes.

Secular

Termo usado para se referir a toda música que não é religiosa. (ver profana)

Sobrepreparação

Quando regemos um elemento musical com mais de um gesto. Acontece em geral quando se aprende a dar entrada em uma peça musical e, ao invés de se dar apenas um tempo, há um gesto a mais antes deste.

Solução de Continuidade

É a comunicação gestual feita com a melhor ligação entre movimentos diferentes. Levando em conta os movimentos básicos e as necessidades musicais, se procuram gestos adequados a serem o mais flúidos o possível. Dados dois gestos possível em regência, uma melhor solução de continuidade é aquela que leva em conta a necessidade musical.

Telegrafar

Indicação para que o executante não realize uma instrução musical (dinâmica ou andamento, por exemplo), antes do compasso que está escrita. Telegrafar mudanças de elementos musicais causa perda da surpresa em música. Exemplo: “não telegrafe o rallentando”, que quer dizer não iniciar o rallentando algum compasso antes do indicado na partitura. 

Tessitura

ver Extensão e Tessitura.

Textura

Identifica as maneiras que as linhas melódicas se relacionam dentro da obra musical através de procedimentos composicionais. Ver página Textura

Through-Composed

Diz-se da música que possui uma continuidade de elementos melódicos novos em sequência. Muita música religiosa que se baseia em estrofes cujo texto não se repete, possui esse tipo de escrita musical.

Transição

Trecho musical que serve de ligação entre duas partes. Não há apresentação de material melódico extenso e significativo, sendo mais usado para mudança de tonalidade (progressiva ou brusca) ou mesmo como elemento de ligação entre dois trechos sem mudança de tonalidade.

Word Painting

É a colocação em música de elementos extramusicais. Em música vocal partes do texto podem ter correspondência com a escolha do compositor, como por exemplo, palavras como alto e baixo serem colocadas com notas agudas e graves respectivamente.

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